Como não perder SEO ao migrar de plataforma

Migração de plataforma não derruba tráfego orgânico. Go live sem ''de-para'' de URLs derruba. O método completo: o que exportar antes de começar, como montar o mapa de redirects 301 e o que medir nos 30 dias seguintes.

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Como não perder SEO ao migrar de plataforma

Migrar de plataforma não derruba tráfego orgânico. Go live sem ''de-para'' de URLs derruba. A diferença entre as duas coisas é um arquivo: a lista que diz ao Google para onde foi cada endereço antigo. Sem ela, toda página que já ranqueava vira erro 404 na madrugada da troca, e o histórico que você levou anos construindo é jogado fora em uma noite.

O medo de perder SEO ao migrar de plataforma é legítimo. Só não é inevitável. E tem uma parte do trabalho que quase nenhum guia menciona: três exportações da loja antiga que você não consegue refazer depois que o contrato com a plataforma anterior é encerrado.

Ao terminar de ler, você vai saber montar o de-para, o que salvar antes de tocar em qualquer coisa e como saber, em 72 horas, se a sua migração deu certo.

A resposta curta

  1. Exporte, antes de qualquer coisa: sitemap antigo, crawl completo da loja atual e o relatório de páginas do Search Console dos últimos 12 meses.
  2. Monte o de-para: uma linha por URL antiga, apontando para a URL nova equivalente.
  3. Suba os redirecionamentos 301 na loja nova antes de apontar o domínio.
  4. Preserve título, H1 e conteúdo das páginas que já ranqueiam. Migração não é hora de reescrever.
  5. No go live, teste uma amostra de URLs antigas na mão e confirme que respondem 301 em um único salto.
  6. Monitore 404 e indexação no Search Console por 30 dias. Oscilação é normal. Queda que não volta, não.

Se você fizer só isso, já está à frente da maioria das migrações que acontecem no Brasil.

O que você perde de verdade, e o que não perde

"Perder SEO" é uma expressão preguiçosa. Ela junta coisas que se comportam de formas muito diferentes na migração.

Ativo O que acontece na troca de plataforma
Autoridade do domínio Não se perde. O domínio é o mesmo. Os backlinks continuam apontando para ele
Backlinks de páginas internas Só se perdem se a URL apontada morrer sem 301
Posição de cada página Preservada se a URL nova receber o 301 e mantiver o conteúdo
Conteúdo indexado Some se o texto não for migrado junto (blog é o caso clássico)
Estrelas de avaliação na SERP Somem por padrão. Ficam no app antigo, não na plataforma
Alt text das imagens Some com frequência na importação em massa
Velocidade e Core Web Vitals Mudam, para melhor ou pior, conforme o tema e os apps

Note o padrão: o que se perde está quase todo ligado à URL e ao conteúdo, não ao domínio. É por isso que o de-para é o documento mais importante do projeto inteiro, e não um detalhe técnico que alguém resolve no fim.

As 3 exportações que você não consegue refazer depois

Esta é a parte irreversível do processo, e a que quase ninguém escreve.

Enquanto a loja antiga está no ar, tudo é recuperável. No dia em que o contrato com a plataforma anterior é encerrado, a loja sai do ar e você perde o acesso a informações que não estão em lugar nenhum. Já vimos projeto tendo que reconstruir de-para no braço, a partir da memória do Google, porque ninguém salvou nada.

1. O sitemap antigo. Baixe o sitemap.xml da loja atual e todos os arquivos filhos que ele lista. É a declaração oficial de tudo que a plataforma antiga considera indexável. Guarde os XML.

2. Um crawl completo da loja antiga. Rode um crawler (o Screaming Frog resolve, e a versão gratuita cobre até 500 URLs) e exporte, para cada URL: status HTTP, title, meta description, H1 e as URLs das imagens. Isso é o que permite preservar os títulos das páginas que já ranqueiam em vez de deixar o tema novo reescrever tudo.

3. O relatório de páginas do Search Console, 12 meses, ordenado por cliques. É a lista das URLs que realmente valem dinheiro. Numa loja com 4.000 SKUs, tipicamente uma minoria das páginas responde pela maior parte do tráfego orgânico. Elas são a sua prioridade absoluta no de-para.

Bônus, e é sério: exporte também os redirecionamentos que já existem na plataforma antiga. Loja com alguns anos acumulou redirects de trocas anteriores, e ainda recebe visita por eles. Se você ignorar essa lista, cria uma cadeia de dois saltos no dia seguinte ao go live.

As três exportações levam uma tarde. Faça antes de começar o projeto, não no fim.

O de-para de URLs: como montar em 5 passos

Passo 1. Junte as listas

Uma planilha, quatro colunas: URL antiga, URL nova, tipo (produto, coleção, página, post) e status. Alimente com o sitemap, o crawl e o relatório do Search Console. Remova duplicatas.

Como saber que deu certo: toda URL que recebeu ao menos 1 clique orgânico nos últimos 12 meses está na planilha.

Passo 2. Traduza para a estrutura da loja nova

A maior parte do trabalho é mecânica e sai com uma fórmula de planilha, porque os padrões são regulares.

Plataforma atual Padrão típico de produto Vira, na Shopify
VTEX /nome-do-produto/p /products/nome-do-produto
Nuvemshop /produtos/nome-do-produto /products/nome-do-produto
WooCommerce /produto/nome-do-produto /products/nome-do-produto
Magento /nome-do-produto.html /products/nome-do-produto

E as categorias, que é onde mora o tráfego de cauda curta:

Plataforma atual Padrão típico de categoria Vira, na Shopify
VTEX /departamento/categoria /collections/categoria
WooCommerce /categoria-produto/slug /collections/slug

Tema, idioma e configuração mudam esses padrões. Confirme o seu no crawl da sua loja, não neste artigo.

Passo 3. Resolva os casos sem equivalente

É aqui que a maioria erra, e é a parte que exige decisão, não fórmula.

  • Produto descontinuado: redirecione para a coleção dele, não para a home. O visitante chega em algo parecido, e o Google entende a relação.
  • Categoria que deixou de existir: aponte para a coleção mais próxima em significado.
  • URL de filtro ou busca que ranqueava: vire coleção de verdade na loja nova, se o volume justifica. Senão, mande para a coleção-mãe.
  • Página que não tem nada parecido: deixe morrer com 404. É melhor que um redirect mentiroso.

Nunca redirecione tudo o que sobrou para a home. O Google trata redirect em massa para a home como soft 404, ou seja, ignora o 301 e trata a página como inexistente. Você teve o trabalho e não levou o benefício.

Passo 4. Suba os redirects antes de apontar o domínio

Na Shopify, os redirecionamentos ficam no admin, em Conteúdo → Redirecionamentos de URL, e aceitam importação por planilha CSV com duas colunas: o caminho antigo e o caminho novo.

Dois detalhes que economizam uma dor de cabeça:

  • O redirecionador nativo trabalha uma URL para uma URL, sem curinga e sem expressão regular. Catálogo de 4.000 SKUs significa 4.000 linhas. É por isso que o de-para nasce em planilha.
  • Suba tudo antes de apontar o domínio para a loja nova. Redirect carregado depois do go live é tempo servindo 404 para o Google e para o cliente.

Passo 5. Teste antes de dormir

Pegue 20 URLs antigas: o produto campeão de vendas, as 3 categorias que mais recebem tráfego, a home, 5 posts do blog e as páginas institucionais. Abra uma a uma.

Critério de aprovação: cada uma responde 301 e cai na URL nova certa, em um único salto. Duas etapas de redirect funcionam, mas desperdiçam autoridade e tempo de rastreamento. Corrija a origem, não crie mais um degrau.

O que a estrutura de URL da Shopify obriga você a aceitar

Aqui não tem negociação, e é melhor saber antes de assinar o projeto.

1. Os prefixos são fixos. Produto vive em /products/, categoria em /collections/, página institucional em /pages/ e post em /blogs/{blog}/. Não existe sualoja.com.br/nome-do-produto. Consequência direta: 100% das suas URLs de produto vão mudar. Não existe migração para Shopify sem redirect. Quem disser que existe, não fez.

2. O mesmo produto tem dois endereços. Ele responde em /products/handle e também em /collections/colecao/products/handle. O tema declara a versão canônica. Confira isso no tema antes do go live: canonical errado divide o sinal do mesmo produto entre duas URLs.

3. Ao mudar um handle depois, aceite o redirect automático. A Shopify oferece criar o redirecionamento sozinha quando você altera o identificador de uma página ou produto. Deixe marcado. Sempre. É o erro mais barato de evitar do e-commerce inteiro.

4. O sitemap é automático. Fica em /sitemap.xml e se atualiza sozinho. Não crie outro, e não instale app para isso.

5. O blog muda de endereço junto. O padrão é /blogs/{handle-do-blog}/{post}. Se a sua loja antiga publicava em /blog/, todos os posts trocam de URL. Se você tem conteúdo que ranqueia, essa lista entra no de-para com a mesma prioridade dos produtos.

As 6 coisas que somem na migração e quase ninguém percebe

1. As estrelas de avaliação na SERP. As avaliações moram no app, não na plataforma. Trocar de loja sem exportar e reimportar as avaliações faz a estrela desaparecer do seu resultado no Google. Você não perde posição, perde CTR, que é pior de diagnosticar porque o relatório continua bonito.

2. O alt text das imagens. A importação em massa preenche o produto, mas o texto alternativo se perde com frequência. Confira uma amostra depois do import. Alt text é acessibilidade e é a única descrição que o Google Imagens tem da sua foto.

3. As categorias. Todo mundo mapeia produto e esquece coleção. E é a categoria que ranqueia para os termos de cabeça, o "comprar [produto]" que traz volume. Elas precisam ter no de-para o mesmo cuidado que os produtos, e às vezes mais.

4. Os títulos das páginas que já ranqueavam. Tema novo costuma aplicar um sufixo global e o importador costuma sobrescrever a meta title com o nome do produto. A página que ranqueava com um título trabalhado acorda com um título genérico. É para isso que serviu o crawl do Passo 2.

5. O blog. Migrar posts é trabalho manual, então é a tarefa que fica para o fim, e é a que mais some do escopo quando o prazo aperta. Cada post abandonado é ranqueamento e backlink descartados.

6. Os links internos. O conteúdo antigo tem links escritos na mão para URLs antigas. Eles vão funcionar pelo redirect, então ninguém percebe. Mas você acaba com um site inteiro navegando por redirecionamento. Atualize os links no conteúdo depois de estabilizar.

O dia do go live: as primeiras 4 horas

Na ordem. A ordem importa mais que a velocidade.

  1. Redirects já carregados na loja nova, antes de qualquer outra coisa.
  2. Remova a página de senha da loja Shopify. Loja com senha ativa é loja invisível para o Google.
  3. Confira se não sobrou noindex no tema. É comum esquecer uma trava de ambiente de teste no código do tema. Uma linha esquecida derruba o site inteiro do índice, e é o erro mais silencioso da lista.
  4. Aponte o domínio. O mesmo domínio de sempre.
  5. Teste as 20 URLs do Passo 5, agora em produção.
  6. Envie o sitemap novo no Search Console e peça indexação das 10 URLs mais importantes.
  7. Não cancele o plano da plataforma antiga hoje. Espere pelo menos 30 dias. Custa uma mensalidade e compra a sua única chance de conferir alguma coisa que faltou.

Uma regra que vale o projeto inteiro: migre plataforma ou troque de domínio, nunca as duas coisas juntas. Se as duas mudarem no mesmo dia e o tráfego cair, você não tem como saber qual das duas causou. Se precisa fazer as duas, separe por pelo menos 30 dias.

Os primeiros 30 dias: o que medir e quando se preocupar

Quando O que olhar O que é normal
Primeiras 72 h Erros 404 no Search Console e no analytics Alguns 404 de URL que ninguém previu. Corrija no mesmo dia
Semana 1 Páginas indexadas, rastreamento, tempo de resposta Google ainda rastreando as URLs antigas. Oscilação de posição
Semanas 2 a 4 Cliques e impressões por página, contra o mês anterior Recuperação gradual, não instantânea
Dia 30 As 20 páginas de maior tráfego, uma a uma A maioria de volta ao patamar anterior

Seja honesto com a expectativa: o Google precisa rastrear tudo de novo, processar cada 301 e transferir os sinais. Isso não acontece em 48 horas. Alguma oscilação é parte do processo, e quem promete zero variação está vendendo, não explicando.

O que não é normal: 404 aumentando depois da primeira semana, página importante saindo do índice, cadeia de redirects aparecendo no relatório, ou queda que continua caindo no dia 30. Nesses casos o problema é execução, não paciência.

Os 5 erros mais caros

  1. Redirecionar tudo o que sobrou para a home. Vira soft 404. Você perde o benefício do 301 inteiro e ainda frustra quem clicou.
  2. Montar o de-para só com os produtos. Categoria, blog e páginas institucionais ficam de fora e levam junto o tráfego de cabeça.
  3. Cadeia de redirects. URL antiga que vai para uma intermediária que vai para a nova. Funciona, desperdiça e é fácil de evitar apontando direto para o destino final.
  4. Encerrar o contrato da plataforma antiga no dia do go live. Some o acesso a tudo que você esqueceu de exportar, e sempre esquece alguma coisa.
  5. Não guardar o de-para depois. Seis meses depois ninguém sabe mais o que apontava para onde, e qualquer diagnóstico vira arqueologia. Guarde a planilha junto da documentação do projeto.

5 perguntas para quem vai fazer a sua migração

Faça na reunião de proposta. As respostas dizem mais que qualquer portfólio.

  • Quantas URLs tem o de-para, e de onde saiu essa lista? Quem não cita Search Console e crawl vai montar a lista de memória.
  • O que vocês fazem com produto que não existe mais na loja nova? Se a resposta for "manda para a home", já sabe.
  • Quem confere o canonical das URLs de produto dentro de coleção?
  • O que acontece com as avaliações e com o alt text das imagens?
  • Quem acompanha o Search Console nos 30 dias seguintes, e o que dispara um alerta?

Se a resposta a duas ou mais for "a plataforma cuida disso", ela não cuida. Redirect é decisão editorial sobre o seu catálogo, e ninguém automatiza isso por você.

Vai migrar e quer o ''de-para'' na mesa antes de assinar qualquer coisa? Fazemos o diagnóstico de migração antes da proposta.

Perguntas frequentes

Vou perder posição no Google se mudar de plataforma?

Não, se cada URL antiga receber um redirect 301 para a URL nova equivalente e o conteúdo que ranqueava for preservado. A queda acontece quando a loja nova sobe sem de-para e as páginas antigas viram 404. Aí a perda é real e demora meses para recuperar.

Quanto tempo o tráfego demora a se recuperar depois da migração?

Alguma oscilação nas primeiras semanas é esperada, porque o Google precisa rastrear todas as URLs de novo e processar cada redirecionamento. O que não é esperado é queda que continua caindo depois de 30 dias. Isso indica erro de execução, não tempo de reprocessamento.

Preciso manter o mesmo domínio?

Idealmente sim, e nunca mude domínio e plataforma no mesmo projeto. A autoridade acumulada está no domínio. Se precisa trocar os dois, faça em etapas separadas por pelo menos 30 dias, para conseguir diagnosticar o que causou qualquer variação.

Redirect 301 ou 302?

301. Ele diz ao Google que a mudança é permanente e transfere os sinais da URL antiga para a nova. O 302 é temporário e não faz essa transferência de forma confiável.

Posso redirecionar tudo para a página inicial?

Não. O Google trata redirecionamento em massa para a home como soft 404 e ignora o benefício. Aponte para a página mais parecida que existir, e quando não existir nada parecido, deixe responder 404.

Preciso avisar o Google que troquei de plataforma?

Não existe aviso para troca de plataforma. A ferramenta de mudança de endereço do Search Console serve apenas para mudança de domínio. Se o domínio é o mesmo, o que comunica a mudança são os 301 e o sitemap novo.

A Shopify faz os redirecionamentos sozinha?

Ela oferece o redirecionamento automático quando você altera o identificador de uma página dentro da própria loja, e tem importador de redirects por planilha. Mas o de-para vindo de outra plataforma é trabalho humano: alguém precisa decidir para onde vai cada URL antiga.


Escrito por Pedro, Fundador na ECOMHARD.
A ECOMHARD é parceira oficial Shopify, já entregou 130+ lojas e gerou mais de R$ 100 milhões em vendas para marcas próprias no Brasil, Portugal, Alemanha, Canadá e Nova Zelândia.

Painéis e nomes de menu das plataformas mudam. Confirme os caminhos no seu admin antes de executar.

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